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  Antigo Testamento

Eclesiastes
Separada de Deus, a vida se enche de desapontamentos

Capítulos de Eclesiastes
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Eclesiastes é um dos livros sapienciais do Antigo Testamento. Possui 12 capítulos. O nome Eclesiastes é emprestado da Septuaginta. Na Bíblia hebraica este livro é chamado de Kohelet. Embora o significado desta palavra seja incerto, tem sido traduzida em português como "pregador", ou alguém que dirige uma reunião. 

A mensagem deste livro diz: "a vida separada de Deus é cheia de cansaço e desapontamento". Ao Eclesiastes segue Cantares de Salomão, e assim é porque um é complemento do outro. Em Eclesiastes aprendemos que sem Cristo não podemos ser felizes, mesmo que tenhamos o mundo inteiro, o que é por demais pequeno para o coração. Nos Cantares de Salomão, o ensino é que se renunciarmos o mundo e concentrarmos toda a nossa afeição em Cristo, ainda assim, por estarmos no mundo, não poderemos sondar a infinita preciosidade e excelência do seu amor.

A palavra chave é "debaixo do sol". Esta expressão encontra-se 29 vezes; "vaidade", 37 vezes": "debaixo do céu", 3 vezes; "sobre a terra", 7 vezes. 

Tem sido chamado, com justiça, o "livro do homem natural". É interessante que o título da Aliança, Jeová não é mencionado nenhuma vez. Este livro se refere, unicamente, ao homem em relação ao seu Criador. O livro é uma exposição da longa experiência humana, ressaltando os resultados de uma tentativa feita para viver sem Deus.

Mas, para o cristão, viver não é apenas existir "debaixo do sol", mas "acima do sol", "assentado, com Cristo, nos lugares celestiais". E, aquilo que, "debaixo do sol" se diz impossível, o homem de Deus, "acima do sol", conhece e afirma ser, gloriosamente, possível. "Debaixo do sol", é a vida materialista e natural; "acima do sol" é a vida integrada ao Espírito Divino. O impossível ao homem, torna-se, assim, possível a Deus (Ler: Isaías 40:4 e Isaías 42:16 Lucas 3:5 e 13:13 Filipenses 2:15 e Filipenses1:9 II Coríntios 5:17 e Apocalipse 21:5).

Reflexões de um filósofo

Eclesiastes apresenta as reflexões e experiências de um filósofo cuja a mente estava em conflito sobre os problemas da vida. Depois de falar das desilusões que havia tido, apresenta o enfoque do materialismo epicureu - que não há nada melhor que o gozo carnal dos prazeres da vida.

À medida que esta idéia aparece repetidamente através do livro, é evidente que o escritor lutava com ela, enquanto que ao mesmo tempo expressava verdades profundas acerca do dever e das obrigações do homem para com Deus.

Finalmente, parece sair de suas especulações e dúvidas até alcançar a conclusão nobre de Eclesiastes 12:13: "Teme a Deus", e guarda os seus mandamentos, pois isto é todo o dever do homem.

Mesmo considerado um livro contraditório e incompreensível, citado muitas vezes por ateus, não o podemos dispensar, pois também é largamente citado no Novo Testamento. Veja: Cap. 7:2 em Mateus 5:3,4; Cap. 5:2 em Mateus 6:7; Cap. 6:2 em Lucas 12:20; Cap. 11:5 em João 3:8, Cap. 12:14 em II Coríntios 5:10, Cap. 5:1 em I Timóteo 3:15; Cap. 5:6 em I Coríntios 11:10

Visão Geral

Capítulos 01 e 02
1. Introdução. Reflexões sobre a rotina monótona da vida (Eclesiastes 1:1-11)
2. A busca de satisfação e felicidade do homem natural
* Não se encontra na aquisição de sabedoria (Eclesiastes 1:12-18)
* Não se encontra no prazer mundano (Eclesiastes 2:1-3)
* Não se encontra na arte ou na agricultura (Eclesiastes 2:4-6)
* Não se encontra nas grandes possessões (Eclesiastes 2:7-11)
3. Conclusões
* O sábio é superior ao insensato (Eclesiastes 2:12-21)
* Do epicureu - não há nada melhor do que comer, beber e gozar a vida (Eclesiastes 2:24-26)

Capítulo 03 - O ponto de vista do homem natural acerca da cansativa rotina da vida
* Há um tempo para tudo, versículos 1 a 8. 
* A conclusão do materialista, versículos 13 a 22

Capítulo 04 - O estudo dos males sociais afasta da fé, versículos 1 a 15.
Conclusão: tudo é sem sentido e inútil, versículo 16.

Capítulo 05
* Conselhos acerca dos deveres religiosos, versículos 1 a 7 
* A insignificância das riquezas, versículos 9 a 17
* A conclusão é - comer, beber e gozar a vida, versículos 18 a 20

Capítulo 6 - A falta de sentido de uma vida longa, versículos 3 a 12

Capítulo 7
* Uma série de ditos sábios, versículos 1 a 24
* Conclusões acerca da mulher má, versículos 25 a 28

Capítulo 8
* Deveres civis, versículos 1 a 5
* A incerteza da vida, versículos 6 a 8
* A certeza do juízo divino, e as injustiças da vida, versículos 10a 14
* A conclusão epicuréia, versículo 15
* A obra de Deus e o homem, versículos 16 e 17

Capítulo 9
* Coisas similares sucedem aos justos e aos maus; o túmulo é a meta da vida, o homem é uma criatura de circunstâncias. Conclusão epicuréia: Comamos e bebamos porque amanhã morreremos, versículos 1 a 9
* A sabedoria é preeminente, ainda que às vezes não seja apreciada, versículos 13 a 18

Capítulo 10 - Vários ditos sábios, o contraste entre a sabedoria e a insensatez, etc.

Capítulo 11
* Conselhos acerca da generosidade, versículos 1-6
* Conselhos ao jovem, versículos 9-10

Capítulo 12 - Uma descrição poética da velhice, versículos 1 a 7
As últimas palavras do pregador e a conclusão final acerca do dever primordial do homem, versículos 8 a 14

Análise do Livro

1. O problema – 1:1-3
Como satisfazer-se e viver feliz sem Deus?

2. A experiência – 1:4 12:12
Ele buscou satisfazer-se com: 
* Ciência, Eclesiastes 1:4-11, mas colheu enfadonha monotonia.
* Sabedoria e filosofia, Eclesiastes 1:12-18, tudo sem nenhum proveito
* Prazeres, Eclesiastes 2:1-11, em alegria, Eclesiastes 1 – em beber, Eclesiastes 3 – em construir, Eclesiastes 4 – em ter grandes possessões, Eclesiastes 5-7 – em riquezas e música, Eclesiastes 8 – tudo em vão. 
* Materialismo, Eclesiastes 2:12-26, vivendo só para o presente. 
* Fatalismo, Eclesiastes 3:1-15
* Deísmo, Eclesiastes 3:16 até o fim do capítulo 4, aí tudo falhou.
* Religião (sem Deus), Eclesiastes 5:1-8
* Riquezas, Eclesiastes 5:9 até o fim do capítulo 6, sem satisfação
* Finalmente experimentou: Moralidade, Eclesiastes 7:1 a Eclesiastes 12:12. Aqui ele respira numa atmosfera mais pura. Eleva-se a um plano superior. Mas, nem a moralidade o satisfez.

3. Fecho do livro
Salomão surge aos nossos olhos, cada vez, como homem de ciência e de prazer; como fatalista e materialista; como céptico, epicurista e estóico, com poucos intervalos ardentes e brilhantes, até o fim do livro. Mas, no fecho da obra, ele se desliza de todas as vaidades enganosas e se firma, aos nossos olhos, como o mais nobre tipo humano: o arrependido e o crente. Observe que "dever" está em grifo, isto é, "este é o homem íntegro". Como que dizendo: fazendo isto serei o todo e não a metade de um homem, serei, portanto, santo!, tal qual somente Deus pode satisfazer (séculos mais tarde Paulo declararia que aqueles que seguem a Obediência a Deus de acordo com os Mandamentos e Estatutos do Senhor são, ante ao Senhor, considerados Santos).

Afirmação da ciência e da Ciência Divina

Eclesiastes contém declarações sobre fenômenos científicos, rigorosamente certas. Sendo tão maravilhosas essas afirmações, o estudante incauto corre o perigo de tomar a Bíblia em defesa de conhecimentos científicos. Mas o que se evidencia aqui é que a ciência do mundo, transcendida a mesma, nos faz ver que existe uma Ciência Divina, Perfeita e Imutável, que, igualmente, segue princípios claros e bem definidos.

Fato curioso é o das afirmações de Salomão sobre a evaporação das águas e a formação de chuvas, coincidirem, perfeitamente, com as descobertas dos sábios de nossos dias a esse respeito. Alguns têm dito que a teoria de Redfield sobre as tempestades tem sua origem aqui. Sem penetrarmos em tal campo, perguntamos: quem ensinou a Salomão o emprego de termos que, claramente, exprimem fatos, e quem revelou a ele que o movimento dos ventos, tido por muitos sem lei, se rege por leis tão positivas como as que determinam o crescimento da planta; e ainda, que, por evaporação, as águas que caem sobre a terra, sobem novamente e tornam a descer de sorte que o mar nunca transborda? – Eclesiastes capítulo 12:6, é uma descrição poética da morte; como "cadeia de prata" descreve a espinha dorsal; o "copo de ouro" é a caixa craniana; o "cântaro" são os pulmões; a "roda" é o coração. Sem pretendermos afirmar que Salomão fosse inspirado a revelar algo positivo sobre a circulação do sangue, 26 séculos antes que Harvey a revelasse, veja-se a assombrosa linguagem que ele usa, e que evoca a figura duma roda puxando água através dum cano para despejar noutro".

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