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Igreja Cristã Primitiva

Igreja Cristã Primitiva

Em 1941, a Sociedade de Filosofia Transcendental – Escola de Iniciação Cristã reorganizou-se estatutariamente e recebeu o nome de Igreja Cristã Primitiva. Adquiriu também personalidade jurídica, como sociedade legalmente constituída na forma de seus estatutos sociais, aprovados pela Assembléia Geral extraordinária de 24 de março de 1941 e registrados no Cartório de Registros Especiais em 22 de outubro desse mesmo ano (veja o Extrato do Estatuto, publicado no Jornal do Estado a 27 de outubro).

Ugarte, que já colaborara com jornais de outros países, a partir de novembro deste ano passou a colaborar ativamente com a imprensa também do Brasil, agora com o “Correio do Povo”, tradicional veículo rio grandense, em cujas páginas se encontra um grande acervo de informações escritas pelo próprio professor, à disposição de toda a Igreja Cristã Primitiva.

A primeira entrevista, concedida a 23 de novembro, recebeu o título de A Obediência a Deus como Princípio e possibilitou a exposição pública dos fundamentos da Doutrina de Obediência à Vontade de Deus e, conseqüentemente, deu à Igreja Cristã Primitiva um alcance sem precedentes e sem fronteiras, chegando a todos os assinantes e demais leitores do “róseo”, tanto no Estado do Rio Grande do Sul quanto fora dele. Nesta entrevista, entre muitas informações importantíssimas, Ugarte declarou:

“Segundo o conselho evangélico, procuramos não fazer a vontade dos pensamentos, nem os desejos da carne, porque os anulamos em sua origem; tudo se faz simplesmente pela Vontade de Deus. Anulamos as causas secundárias pela unificação completa com as primárias, porque nem sempre os motivos aparentes são os mais poderosos. (…) Em nossas reuniões, somente oramos o “Pai Nosso”, única oração ensinada por Cristo, Único Espírito que podemos invocar, porque “Quando duas ou mais pessoas se reunirem em Meu Nome, Eu estarei no meio delas”.

Em 1942, as fileiras da Igreja foram enriquecidas com o ingresso de inúmeros novos adeptos que, com seus recursos financeiros e dadas as condições intelectuais, contribuíram em muito para a difusão da Doutrina. Foi dentre estes, também, que Ugarte escolheu novos auxiliares, elegendo-os Instrutores da Doutrina e confiando-lhes a Administração da Igreja.

A grande reportagem publicada no jornal Correio do Povo, na edição de 15 de fevereiro de 1942, na qual se expunha, novamente, os fundamentos da Doutrina e se revelava ao público as centenas de curas realizadas pelo Espírito Santo por intermédio de Ugarte, foi a causa eficiente de atração de um sem número de protestantes, metodistas e seguidores de outras crenças.

Em 1943, cinco templos congregavam os fiéis da Obediência à Vontade de Deus, todos no Rio Grande do Sul: São Paulo, como sede central; Julio Ugarte, em Rio Grande; São Pedro, em João Rodrigues (Rio Pardo); São João Batista, em Canoas; e São Lucas, em Ramiz Galvão (Rio Pardo).

Em 1944 a vida associativa da Igreja tomou um caráter mais intenso. Também mais intensa era a divulgação da Doutrina através da imprensa. A reportagem publicada no Correio do Povo em 13 de fevereiro desse ano, sobre as festividades que se realizaram no Templo São Pedro, em João Rodrigues, para onde o grande órgão da imprensa destacou um repórter, e o variado depoimento sobre novas e importantes curas efetuadas pelo Espírito Santo por intermédio de Ugarte causaram profunda impressão no espírito de muitas almas sinceras.

A 3 de setembro desse mesmo ano, outro fato relevante da Igreja nascente, sob o ponto de vista da divulgação da Doutrina, foi levado à imprensa. A solenidade relativa ao lançamento da pedra fundamental do novo Templo São Paulo da Igreja Cristã Primitiva foi incluída nas festividades oficiais da “Semana da Pátria”. Este evento contou com a presença de representantes das autoridades civis e militares e foi abrilhantado pelo concurso de uma banda militar. 

Tal acontecimento foi registrado nas páginas do “Correio do Povo”, na edição de 7 de setembro, sob título: Religião e Civismo a serviço da Pátria. O jornal faz a cobertura do evento e publica na íntegra o discurso proferido por Ugarte na ocasião, o qual traça um paralelo entre Tiradentes e Jesus Cristo e conclama a todos para darem lugar em suas consciências a um novo modelo de indivíduo que tome como norma cristã a Obediência a Deus.

“Em nossos peitos, não se abrigam ódios nem rancores; não fazemos guerras em sentido algum a quem quer que seja, por causa das suas crenças religiosas; procedemos com a sinceridade digna do respeito que mutuamente todos merecemos, combatendo, sem dúvida, o fanatismo, o vício, o crime, indicando a forma de como suprimi-los: a obediência a Deus.”

No decorrer dos anos de 1945 e 1946, as atividades sociais e de divulgação da Doutrina continuaram num ritmo crescente. Julio Ugarte y Ugarte viajava por todo o Estado, pregando incansavelmente o Evangelho da Verdade. O Espírito de Cristo que nele fizera morada realizava inúmeras curas em diversas localidades do interior do Rio Grande do Sul, notadamente em Palmas e Irapuá (Cachoeira do Sul), Santa Cruz do Sul e Candelária (Bexiga).

Em 1945 novos templos foram erigidos: São Mateus, em Pelotas; Templo Jesus, na Povoação da Barra (São José do Norte); e Profeta Elias em Irapuá (Cachoeira do Sul). Em 1946 foram erigidos os templos São João, em Monte Alegre; e São Marcos, em Cachoeira do Sul.

As solenidades relativas à Semana Santa, bem como as festividades do aniversário da fundação da Igreja, Natal e Ano Novo, revestiram-se, desde 1945, de um cunho de alta distinção e ruidosidade. De distinção pela cuidadosa organização dos programas festivos, dos quais faziam parte os hinos sacros vocalizados pelo coro da Igreja, recém em organização, porém, já munido de um harmônio, adquirido nesse ano na cidade de Novo Hamburgo; e de ruidosidade pela ampla publicação dessas festividades tendo por objetivo a divulgação da Doutrina.

A data natalícia de Julio Ugarte, 23 de julho, passou a ser data festejada por seus discípulos com grande júbilo; porém foi a partir de 1946 que ela alcançou maior ressonância no programa festivo, pela inclusão, de dezenas de felicitações através das ondas das três rádio-emissoras locais, tornando conhecido ainda mais longe o nome da Doutrina de Obediência a  Deus e do professor Ugarte.

O ano de 1947 foi, entre todos os anos iniciais da vida da Igreja renascente, o mais pródigo em empreendimentos e realizações fecundas. Nesse ano foram acrescentados à Igreja Cristã Primitiva mais quatro templos, que receberam os nomes de São José e São Judas, em Palmeira das Missões; São Tiago, em Cruz Alta; e Santo Estevão, em Porto Alegre; bem como os Pontos de Pregação em Encruzilhada do Sul, Sanga Negra e Pequeri. 

Destaque em 1947 também para a oficialização do hino da Igreja, intitulado “Obediência a Deus”, com música e letra ouvidas espiritualmente pelo professor Ugarte. O Hino vinha sendo, há meses, adaptado à técnica musical pelo maestro Gilberto Agrello que, voluntária e dedicadamente, se ocupava da direção do coro da Igreja. 

Com o concurso dos artistas José Fontato, Carlos Barone, Vily Lubianca, Israel Totemberg, Paulo Machado, Mauro Bandeira, Humberto de Franceschi, Stewart Olivera e Iolanda Amoreti Machado e sob a regência do maestro Gilberto Agrello, na manhã de 8 de maio de 1947 o hino  “Obediência a Deus” foi gravado no estúdio da Rádio Farroupilha.

O hino foi irradiado dois dias após, pela mesma emissora, às 15h30min, sendo ouvido por todos os ouvintes da emissora, em especial por aqueles que estavam presentes na grande Homenagem e Confraternização que se realizava no Salão de Festas da ACM, festa em homenagem ao maestro Agrello e aos artistas já citados, pela colaboração emprestada na adaptação e execução do referido hino. Nesta ocasião solene, Ugarte tomou a palavra, fez um belo discurso e presenteou o maestro Agrello com um fino pergaminho artisticamente confeccionado.

Mas o fato de maior repercussão e cujos efeitos repercutem até hoje no seio da Igreja, é o que diz respeito à fundação da Colonização Agrícola e Industrial, iniciada nesse mesmo ano e do qual discorreremos na sequência.

Continue lendo a Biografia de Julio Ugarte y Ugarte e a História da Igreja Cristã Primitiva dos dias atuais na seqüência de conteúdo, que trata da Colonização Agrícola e Industrial.

Biografia de Julio Ugarte y Ugarte:
Do Peru ao Brasil
Círculo Espiritualista Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo
A Sociedade de Filosofia Transcendental
Igreja Cristã Primitiva
Projeto de Colonização
Coletânea de Textos
Legado de Julio Ugarte y Ugarte