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Mistérios da Vontade
(*)
Não
pretendo recorrer aos filósofos nesta vez; quero
recorrer a minha consciência, ao fruto do que eu
mesmo plantei, ao resultado de minhas investigações,
se assim se podem denominar as experiências
realizadas mais além das meras suposições da mente
inferior, quando renovada esta, desenvolvidos os
sentidos do Espírito Universal em nós, vivendo no
Plano correspondente ao Quarto Céu do Cristianismo, e
transcendidos os degraus que o antecedem. Nesse estado
de consciência, em que já não existem sombras e a
Verdade se compreende por si mesma, sem o agente da
inteligência pessoal nem individual - correspondentes
às que nascem em cada encarnação e às que
permanecem com o ego, em sua evolução, umas
na vida física, as outras através de todas as vidas
do ego encarnado - porque a Inteligência do EU
Universal é causa e não efeito. É, pois, o que
pretendo expor no resumo de conhecimentos adquiridos,
já que, recorrendo aos planos inferiores da mente física,
não teríamos senão os aportes ministrados muito
longe da Verdade.
Não
precisamos definir a vontade humana, todos sabem o que
representa, filosoficamente considerada, seu valor
indiscutível na vida do ego. Temos de estudá-la
desde um ponto mais elevado, em sua origem.
A
Vontade tem dois aspectos principais: construtor e
destruidor.
Que
é a Vontade em si mesma? É uma Potência construtora
e destruidora. A quem obedece essa Potência? Obedece
a si mesma, porque é a criadora do mesmo pensamento
que engendra, entre outras, a mesma idéia que
produziu os conceitos de vontade inferior e Vontade
Superior, vontade humana e Vontade Divina.
É a
criadora do Pensamento Universal nos diferentes planos
de consciência; ela, portanto, é incriada.
A
Vontade Superior é imutável, a vontade inferior é
mutável.
A
vontade inferior é limitada, conseqüentemente, não
é Absoluta.
O que
tem limites, não pode ser o Ilimitado. Só existe uma
Verdade, só existe uma Vida Universal - Deus - o Espírito.
Então,
adaptando-nos à mente inferior, se queremos
transcender, chegar à Vida Universal, teremos que
inquirir como efetuar a Unificação com aquela Potência
Criadora; eis ai o ponto capital, a base, certamente,
do Poder que desenvolveram todos os mestres, errados
ou não, falsos ou verdadeiros; os prodígios de
ambos: a expressão de duas forças que se repelem; a
manifestação dos dois pólos opostos: Bem e Mal, ou
num plano superior, Bem e o Não-Bem, também
desaparecem. Este assunto, por si simplíssimo, mas
que parece complexíssimo, poderei estudá-lo em outra
conferência.
Se nós
atuamos por nossa vontade inferior, estamos na
Mentira, o Diabo, Satanás, a Não-Verdade, que rechaça
a Verdade Imutável. São os pólos opostos origem de
todas as lutas, porque se combatem entre si os
aspectos da Verdade Absoluta, de onde emana todo
pensamento, o Criador do Bem e do Mal, idéia
transcendente, escrita no Antigo Testamento, adaptada
à Mente inferior e Superior até o Terceiro Céu do
Cristo. Mas, na Mente correspondente ao Quarto Plano
Superior, no Caminho da Evolução Espiritual, já não
vê essa luta que é só aparente e é tomada como
real quando se vive ainda nos planos de consciência
de 1°, 2°, e 3° Céus, nos quais se contempla a
luta astral, planos inferiores onde se realizam
primeiramente os fenômenos que se reproduzirão no
mundo dos sentidos, no mundo da Não-Verdade.
Como
compreender a Vontade Infinita? Como entrar em
Harmonia com essa Potência Criadora, o Espírito
Santo do Cristianismo Verdadeiro? - E tome-se em
consideração que, cada vez que digo Cristianismo ou
a ele me refiro, não trato de outro que não seja o
primitivo, e não ao falso cristianismo que há
dezessete séculos se estendeu por todo o planeta. -
Como entrar nessa Corrente Misteriosa, que produz
nossa ligação com a Potência Maior, olhada daqui,
da Divindade? Como poderemos transcender nossa limitadíssima
vontade humana? Como poderemos destruir os obstáculos
que se apresentam nesta grande tarefa? Será possível
essa realização da Unidade? O Cristo nos dará a
resposta.
Ele,
nesse plano de Consciência Superior, correspondente
ao que se pode explicar aos que o seguem e que se
encontram para baixo, inclusive no mundo dos sentidos,
deu o exemplo: renunciar à sua vontade humana, para
fazer internamente Sua Vontade Divina. Fez a Grande
Transmutação - que os alquimistas tanto
tergiversaram - para efetuar, ao mesmo tempo que seu
progresso espiritual, seu ensino ao mundo.
Devo
esclarecer que este Caminho, o mais elevado de todos,
jamais foi explicado pelos Mestres que o antecederam;
é um absurdo colocar a todos os Mestres no mesmo
plano quanto a suas instruções.
Referindo-nos
aos Mestres, devemos recorrer a um exemplo que esclareça
este caso devidamente, para ter uma idéia clara,
precisa, sem confusões que impedem a compreensão.
Suponhamos uma Faculdade de Medicina onde todos os
catedráticos, naturalmente, são médicos, fizeram os
mesmos estudos, efetuaram idênticas experiências e,
por último, receberam o mesmo título que,
acreditando-se em sua capacidade, os faz aptos para
ensinar; podem desempenhar os cargos de professores de
qualquer dos cursos da Faculdade. Então, como um só
médico não pode realizar esta tarefa, cada um dos
professores toma a cargo seu respectivo curso. Pois
bem, ainda que todos tenham os mesmos conhecimentos e
se estão, portanto, capacitados para transmiti-los a
seus alunos, cada um tem que ensinar em suas aulas
somente o concernente ao seu curso, ainda que cada
qual conheça o que sabem todos eles. Mais claramente
expressado: um médico, no primeiro ano de Medicina,
ensinará o correspondente ao programa de estudos do
dito ano; o mesmo médico, ditando aula do último ano
da mesma Faculdade, ensinará o correspondente a este
último ano. Isto é que ocorre com todos os Mestres
Verdadeiros.
Vejamos
agora, após esclarecimento, como é que, contemplados
os conhecimentos transmitidos por todos os Mestres
desde o princípio do mundo, em forma de doutrinas
diferentes, mas coincidindo nos princípios
fundamentais, foram os Instrutores das diferentes
aulas da Grande Faculdade Espiritual, Divina.
Conseqüentemente,
com o programa universal dessa Grande Escola da Vida,
os Instrutores vieram ao mundo em diversas épocas,
adaptando-se desde a mentalidade embrionária dos
primeiros egos da primeira raça espiritual, como às
sub-raças todas, de todas as raças de espíritos que
vêm ao mundo; então, como queremos comparar as
instruções dos primitivos Mestres às instruções
ou ensinamentos dos posteriores, seria isto um
absurdo. Falando humanamente, seria demonstrar nossa
falta de aproveitamento, pois havendo terminado o
curso de ensino secundário, recorrer aos Mestres de
ensino do Jardim de Infância ou dos cursos que o
seguem; isto não o fazem os que aproveitaram bem os
conhecimentos transmitidos a eles quando cursaram os
estudos anteriores; também podem e estão na
necessidade de recorrer aos primitivos Mestres, os que
ainda estão na necessidade de conhecer o que ainda não
conhecem, nos primeiros degraus do Saber Espiritual.
Como
o mundo progride, apesar de todos os atrasados, com
mais clareza, como as raças se sucedem umas às
outras espiritualmente falando, em forma ascendente,
os Instrutores também se encarnam em seus respectivos
tempos para ajudar na evolução das diferentes sub-raças
e raças, das diversas gerações espirituais.
Pelas
rações que antecedem, ficará comprovado como é que
para os mais evoluídos, o último Instrutor é o que
preferem; entendendo que o último que nos visitou foi
o Cristo, que anunciou que não regressaria ao muno
novamente encarnado, prevenindo assim aos egos
preparados que aceitaram Seus ensinamentos. É inegável
então, que os Mestres posteriores a Cristo em Jesus só
podem ensinar, cingindo-se à última Doutrina deste
Grande Enviado Divino.
Eu não
critico os Enviados anteriores, porque sei que o
Ensinamento o fez Um só em todos eles: mas o
ensinamento que cada um deles deu é superior em
conhecimento em forma progressiva.
Os
falsos mestres se encarregaram de desviar o mundo,
estabelecendo, em sua ignorância crassa, a
superioridade dos anteriores, como o fizeram tantíssimos
magos negros da Índia, cujas filosofias ou escolas
tomadas de outros egos ignorantes do plano astral, mas
tomadas como do Absoluto, fizeram que até hoje muitos
sigam os erro a que eles os arrastam, não se deixando
escapar certo sentimento egoísta de nacionalidade ou
de raça material nesses mestres falso e deturpadores
da Verdade; não desta, senão como resultado de seu
próprio desvio no estudo das primeiras letras da Ciência
Divina.
É
muito difícil para o investigador reconhecer qual é
o mestre verdadeiro e o falso. Como querem discernir
com a mente inferior, esta mente da Ilusão? É
absurdo.
A
mente inferior olha para baixo; e, quando quer olhar
para Cima, fica cega, não compreende e termina por
dizer: não compreendemos a Deus, segue o mistério,
perdura a Grande Incógnita, não conhecemos a
Verdade.
Assim
como no exemplo anteriormente citado, da Faculdade de
Medicina, os professores se complementam, assim também
os Mestres espirituais até o Cristo se complementaram
uns aos outros em forma ascendente.
É
por isso que a fundadora da Sociedade Teosófica,
madame H. P. Blavatsky, aconselhada pelos Mestres que
se apresentaram a ela com os nomes de Morya e Koot
Hoomi, impôs no segundo postulado da Sociedade Teosófica,
fundada em Nova Iorque, cá na América, onde deveria
nascer a nova sub-raça, matriz e última de todas no
plano da evolução espiritual, e não estabelecida na
Índia - onde se deturparam seus fins - digo, nesse
segundo postulado da Sociedade, se expressa o fim
primordial dos teósofos depois de realizado o ideal
da fraternidade humana, o estudar comparativamente
religiões, filosofias e ciências, aumentando
principalmente o estudo comparativo da religião cristã
com as outras religiões orientais. Estudo que ela
principiou e que não pôde terminar.
Como
poderíamos nós desconhecer o fim de todos os
Instrutores, desses grandes Mestres da Verdade? Como
poderíamos deixar de compreender esses grandes Gênios
Protetores da Evolução global do Espírito do qual
todos somos um fragmento de seus aspectos Verdade e Não-Verdade,
Iluminados ou cegos? Como poderíamos imaginar que, se
no concerto majestoso da Natureza tudo está
condicionado por leis que a regem, no Plano do
ensinamento da mesma Verdade não existisse uma única
Direção nesta Faculdade ensinadora da Verdade? Seria
terminar em um caos; e Deus não é caos para que o
pudéssemos conceber assim.
Terminemos,
pois, por aceitar um Programa ou vasto Plano Divino
para que as almas, desligadas de sua Ignorância,
voltem através de muitíssimas encarnações a
recuperar essa origem divina que perderam ao sair do
Seio que lhes deu a Luz, para unificar-se com a Vida
que tinham todos em Um, antes de iniciar sua imensa
peregrinação.
H. P.
Blavatsky, esse gênio do século XIX, compreendeu,
por iluminação, esse Plano Divino e, sendo-lhe
insuficiente o tempo para abarcar em suas obras esta
obra de tão grande transcendência, encarregou aos
membros mais capacitados da Sociedade Teosófica, que
ela fundou com a ajuda do Coronel Olcott,
prosseguissem essa tarefa que, como disse, em suas
obras ela iniciou.
Não
encontramos, em todas as obras teosóficas, autores
que seguissem tão enorme tarefa que, além de
requerer enorme discernimento, precisava
insdispensavelmente tempo e principalmente meios econômicos
para poder estudar as Doutrinas Primitivas dos
Mestres, disseminadas em todos os rincões do mundo;
e, muito mais, se fará cargo de tão prodigiosa
tarefa quem medite breves instantes sobre as
tergiversações que sofreram todas as doutrinas através
do tempo, devido aos falsos mestres, que sempre
aparecem quando se apresenta um Verdadeiro Redentor da
Ignorância.
Voltando,
pois, a esta Única Direção, essa Força Infinita,
essa Vontade Criadora, reconhecida por todos os
Mestres, teremos que ver que eles atuaram em Harmonia
com essa Potência Criadora da Verdade, dando a
conhecer que só em Deus se baseavam seus
ensinamentos; eram os que davam Deus ao mundo com seus
respectivos ensinamentos, encadeados, nesse concerto tão
elevado, indescritível, pela magnitude que abarca,
pois para ocupar-se de tão maravilhoso Arcano, teriam
primeiro que passar, os que quisessem auscultá-lo,
pelos degraus todos do Saber Espiritual, quer dizer,
caminhando Deus neles.
Como
queremos compreender o que só pode vir quando se
despertarem os sentidos internos? Seria pretender dar
de mamar à criança antes de nascer. Se não nasceram
espiritualmente, não podem se alimentar com o
conhecimento espiritual; mas os que entraram na
Verdade são como fetos, em estado de gestação
espiritual, alimentam-se sem dar-se conta, quase
inconscientemente, mais guiados por uma intuição que
pela, por assim dizer, ilação das verdade
ministradas pelos Instrutores.
Não
é trabalho tão fácil ensinar e, mais que tudo,
ensinar a Verdade; por isso vemos os Grandes
Instrutores das primeiras raças adaptarem-se
admiravelmente a seus contemporâneos, quer seja
recorrendo a símbolos, a Mistérios ou a cultos que
nos assustam, ante os quais ficaríamos perplexos se
se pretendessem ensinar em nossos dias, mas que foram
compreensíveis em suas respectivas eras.
Assim
como em nossa sociedade moderna, se alguém precisa de
um meio de locomoção, procurará um automóvel, um
trem, um vapor ou um avião, e não pensaria sequer
nos veículos antigos; assim também, todos foram
necessários em seu tempo. Para quem? Para nós
mesmos, em nossas encarnações anteriores; somos nós
mesmos as raças que evoluímos; somos nós mesmos os
que vivemos de nossos pensamentos anteriores. Não
vivem os vivos dos mortos? Nós vivemos de nós
mesmos; formamos as raças espirituais; nada fica
estacionário.
O que
agora aprendemos é o que já sabíamos aumentado com
os novos conhecimentos que nos foram necessários
receber em cada encarnação, até que completamos
nossa aprendizagem e não regressamos mais...
Contudo,
assim como observamos que, apesar dos meios modernos
de locomoção existentes em nossos tempos, não
criticaríamos o camponês, como sucede na atualidade
em muitas partes do mundo, que emprega, feliz, sua
carreta arrastada por bois; assim também precisam dos
ensinos primitivos os mais atrasados na Grande
Faculdade da Evolução.
Como
compreenderemos nosso grau de evolução? Se
compreendemos os ensinamentos do Último Grande
Mestre, Jesus Cristo...
Todos
os Grandes enviados aconselharam sempre a não olhar
mais para trás, para não nos convertermos em estátua
de sal, como aconteceu com a mulher de Ló quando
fugia do incêndio de Sodoma, Símbolo da Destruição,
do Mal, do Erro, da Ignorância.
Não
olhes para trás, ou estarás perdido
é o conselho vertido através dos livros sagrados, de
todas as épocas, inclusive no Novo Testamento.
Quem
quer progredir não pode viver no passado, deve viver
para o porvir, essa é a grande tarefa de todas as
almas.
Se
recorremos ao passado no estudo das Doutrinas, é
unicamente para aclarar a compreensão da Última
Doutrina; como o aluno de Álgebra que, tendo que
resolver um problema de equação de segundo grau,
houvesse se esquecido de como extrair a raiz quadrada,
conhecimento que esqueceu e que já havia recebido
quando era estudante de Aritmética.
A
interpretação esotérica das Doutrinas não pode ser
segundo critério vulgar; pois os homens, normalmente
evoluídos em sua mentalidade ou intelecto, apenas
perceberam insignificantes partículas das Doutrinas
Esotéricas. E necessário o renascimento espiritual
para ter, paulatinamente, essa interpretação oculta,
que compreendem mal os iniciados, os que não alcançaram
a Vida do Espírito no Plano Superior do Primeiro
Degrau ou Primeiro Céu Crístico.
Foi,
pois, o Cristo de nossa Era quem completou o
ensinamento total da Sabedoria, foi o Mestre do Último
Grau, o Instrutor de todos os que passaram pelas
Doutrinas Verdadeiras anteriores; é Ele, pois, a quem
seguem os que já O conheceram e, por intuição,
aceitam Sua Doutrina quando lhes chega a Seu
conhecimento: As
ovelhas conhecem a voz de Seu Pastor, e o Pastor
conhece suas ovelhas.
Dizer
que o passado pertenceu a nossos antepassados, seria
desconhecer que nossos antepassados fomos nós mesmos,
quer dizer, nossos egos que viveram em outros corpos;
e se estes últimos voltaram à Terra, assim também
voltaram nossos egos à Terra até que, entrando no
Umbral do Santuário, renascendo na Vida do Espírito,
desidentificando-nos com nossos corpos, e ouvindo a
Voz Insonora, a Voz do Silêncio a Voz do Logos, em
seus três aspectos, Brahma, Vishnu, Shiva do Senhor
Buda, ou o Pai, o Filho e o Espírito Santo do Senhor
o Cristo, e seguindo suas Sapientíssimas Palavras não
regressamos mais ao plano das Trevas, ficando
incorporados definitivamente ao Espírito Eterno.
Na
concepção maravilhosa dessa Unidade de todas as
Doutrinas, ainda daquelas mesmas que foram deturpadas
pela ignorância ou atraso dos maus sacerdotes, porque
todas elas têm por fundamentos a Unidade do Espírito,
ou seja, o monoteísmo e sua Trindade Básica, ambos
conhecimentos pré-búdicos, algo mais, remontam aos
primeiros homens que, descendo para povoar a Terra,
receberam o conhecimento da existência de um só
Deus, Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Qualquer
investigador facilmente descobrirá em todas as idéias
cosmogônicas de todos os povos, desde os mais remotos
tempos, detalhes característicos que fazem ver,
indiscutivelmente, que não só existe essa tradição
com respeito à Unidade do Espírito, mas outros
detalhes, como seja a idéia conservada pela tradição,
com diferentes lendas em cada povo, da realização do
Dilúvio Universal, feito que pertenceu ao domínio do
conhecimento dos homens de todas as raças, inclusive
aos autóctones do Império dos Incas.
Como
podemos negar esse outro princípio existente em todas
as idéias primitivas dos povos quanto à polaridade:
os pares oposto, o princípio do Bem e do Mal,
simbolizados em todas as crenças de todas as raças?
Deter-nos
em todos estes aspectos, seria desconhecer a História
Universal; não quero fazer esbanjamento de erudição,
ocupando-me dos pormenores das lendas antigas que,
guardadas escrupulosamente pela tradição de todos os
povos, são conhecidas por todos os homens cultos.
Minhas palavras são simplesmente uma lembrança rápida
desses aspectos, que servem de base primordial para
levar-nos ao convencimento da Unidade da Doutrina
Global de todos os Grandes Mestres, orientados por uma
única Direção, por uma só Vontade Divina, feito
que foi vislumbrado com um aspecto vago, atribuindo-o
a um só Deus, que, em seu aspecto de Filho, o Segundo
Logos, o Buda e o Cristo, morou nesses Grandes
Instrutores do gênero humano, nos fazia confusa a
compreensão. Mais, visto esse aspecto sob a face de
urna só Vontade Onipotente da qual brota a Sabedoria
Divina - O que faz as coisas pelo Conselho da Sua
Vontade - segundo lemos estas palavras tanto no
Livro dos livros, a Bíblia, corno nos Vedas e em
todos os livros sagrados, se aclarará abundantemente
esse Mistério, guardado por todos os antigos Mestres,
jamais revelado ao mundo, e cuja tarefa foi
encomendada ao Maior de nossos Instrutores quanto a
seu ensinamento, Nosso Senhor Jesus Cristo, tema do
qual me ocupo com todos os detalhes em minha obra As
Duas Grandes Lei Espirituais, ao dar a conhecer a
Verdadeira Doutrina Cristã.
Para
quem compreendeu estes Mistérios, esclarece-se com
facilidade esse encadeamento dos conhecimentos
espirituais, que no fundo são o conhecimento de Deus,
a Verdadeira Teosofia, que deram ao mundo os Mestres
de todos os homens, de todas as raças de espíritos.
Tornando
por base o Último de nossos Instrutores Espirituais,
Jesus Cristo, este tema de minha conferência tem
toda a força de convicção para levar-nos à evidência
de que, só nos identificando com esta Potência
Criadora, o Terceiro Logos, Shiva ou o Espírito
Santo, em outras palavras a Vontade de Deus,
retirados os véus, é que poderemos, paulatinamente,
identificar-nos com o Segundo Aspecto do Logos, Vishnu,
o Filho, o Cristo, e, identificados com o Segundo
Aspecto, seguir, igualmente, pouco a pouco, e
identificar-nos com o Primeiro Aspecto, o Primeiro
Logos, Brahma, Jeová, o Pai, Deus, Paraabraharn, o
Absoluto.
Ternos,
pois, que transcender esse Caminho da Linha Reta do
qual, com palavras parecidas com as de Cristo, Lao-Tsé,
o notável Inspirado Divino, nos leva ao Caminho da
Unificação, esclarecido mais tarde, séculos depois,
pelo Imortal Espírito da Revelação Superior, o
Cristo.
As
aparentes contradições que achamos nos Instrutores,
devem ser consideradas com claridade meridiana, pois,
muitas vezes, essas aparências de contradição levam
à confusão, ao caos; mas, com este exemplo, ficará
devidamente esclarecido esse assunto.
Desde
o princípio do mundo, observamos que o conhecimento
espiritual é progressivo e comparável com o
alimento; assim o compararam todos os Instrutores,
desde a recordada lenda da maçã de Adão, de que nos
fala o Antigo Testamento, até as palavras de Cristo: Quem
não comer meu corpo e beber meu sangue não entrará
no Reino dos Céus; palavras que, entendidas
materialmente, espantaram a quem as ouviram, segundo
consta nesse Grande Tratado da Divindade.
A
criança recém nascida tomará alimento adequado,
assim sucessivamente. Se a criança posteriormente
deseja, em sua ignorância, servir-se de alimentos
inapropriados, o Pai recorrerá a todos os meios para
dissuadi-la e os ocultará, pois, cada coisa tem
seu tempo, como disse o Grande Apóstolo do
Cristianismo, São Paulo. Posteriormente, o Pai
obrigará a criança a servir-se de alimentos mais
nutritivos e até a obrigará a isto, recorrendo às
ameaças e castigos, porque a criança prefere as
guloseimas e não os alimentos substanciosos. Em suma,
vemos que o Pai se contradiz, o que primeiro negava e
fazia ver que não convinha servir-se, posteriormente
faz todo o contrário. Assim são todas as contradições
que encontramos nos Grandes Enviados: Todos os que
foram antes de mim, foram ladrões e roubadores,
palavras que, compreendidas em sua verdadeira
interpretação, se referem, como na comparação que
acabo de fazer, a que já os mais desenvolvidos
necessitam de alimentos mais substanciosos; é o
engano que faz o pai ao filho quando não está
preparado para saber a verdade, que no fundo não é
engano, mas negação da verdade, por não ser esta
ainda compreensível em certos aspectos; foram essas
sublimes palavras para incitar, obrigar os mais evoluídos
a deixar as doutrinas anteriores, a despreocupar-se
desses conhecimentos pelos quais já passaram em
encarnações anteriores, que já não necessitam e,
em sua falta de memória, esqueceram. É como um homem
que, esquecendo-se que é homem, em sua loucura,
pretendesse mamar do seio da mãe; todos recorreriam a
todos os meios para levá-lo ao convencimento de que
é um homem, inclusive até a mesma negação da
verdade e até a violência para salvá-lo de seu
erro, separando-o do lar.
Quantos
casos destes vemos no primitivo Cristianismo!
Recordemos o caso de Saulo de Tarso que, pela violência,
foi transladado ao plano do Espírito e despertaram
seus sentidos espirituais quando se dirigia a Damasco,
caminho errado em que encontrava perseguindo a difusão
da Doutrina Santíssima, e que deu as costas ao erro e
dirigiu-se para a Verdade. Paulo, esquecendo o estado
evolutivo de seu ego, que ignorava, queria mamar
quando já era homem; e pela violência foi forçado a
servir-se do alimento que a seu tempo lhe convinha,
para que ensinasse a seus contemporâneos e à
posteridade qual é o melhor alimento espiritual para
o que já terminou, como ele, seu ciclo de
renascimentos materiais; o mesmo Paulo o reconheceu
assim, que ele estava predestinado para salvar-se
desde o princípio dos ciclos ou vidas universais.
Se
as crianças são desobedientes e se servem de
manjares inapropriados, burlando as proibições dos
pais que velam pela saúde de seus filhos, estes têm
que padecer pela experiência, até que, de tanto
padecer, compreendam o que lhes faz mal e se salvem
das dores. Assim sucedeu com Jesus: Pelo
muito que padeceu, aprendeu a Obediência e, havendo-a
consumado, tomou-se autor da salvação eterna para
todos os que lhe obedecem.
Queremos
palavras mais claras? Certamente que não, pois quem não
as pode entender, é porque ainda não lhe chegou seu
tempo, tem que padecer mais, que algum dia lhe chegará
seu turno em que se convença da Verdade; e se humilhe
a si mesmo como o fez o Cristo: Fazendo-se
obediente ao Pai, até a morte e morte de cruz,
porque Ele é o Primogênito entre muitos irmãos que,
identicamente a Ele, percorrerão o Caminho Glorioso
de Salvação e se salvarão com Ele os que aceitarem
a Santa Doutrina porque também lhes chegou a hora da
Redenção Eterna, deixando para sempre o mundo de misérias,
de dores, de incontáveis sofrimentos, para ficar
definitivamente incorporados à Absoluta Felicidade,
Deus.
Aqui
devemos fazer um esclarecimento, porque estes últimos
conceitos sempre fizeram brotar dos lábios de todos
em geral, de quantos pensaram neste assunto tão
transcendental: Por que foi necessário que passemos
por tantos sofrimentos primeiro para alcançar a
Verdade? A resposta que sempre se deu pelos que
pretendem ensinar sem saber a Verdade: Como conheceríamos
a Luz se não passássemos primeiro pelas trevas?
Resposta muito apropriada para sair da situação, mas
que no fundo recai sobre a mesma pergunta: Por que
necessitamos passar pelas trevas para conhecer a Luz?
A resposta a darei a todo o mundo: Estudem todas as
religiões comparativamente e deduzirão que todas
elas sustentam que este Universo Manifestado não é
real, e esta vida que cremos ter, não é real, não
é a Vida Verdadeira da qual nos fala o Cristo. Se
isto é assim, se depois de Deus não há nada, Ele é
o Alfa e o Ômega - a primeira e a última letra do
alfabeto aramaico - se este mundo é a vaidade das
vaidades de Salomão, a vaidade de vaidades de Cristo,
mundo que carece de essência, de substância, então
todos os sofrimentos e as dores humanas foram também
inexistentes, foram como um sonho através de nossas
etapas inferiores, tomando em conta também que não
somos nossos, porque não nos pertencemos, como disse
São Paulo, nem tão pouco somos nós: é Um o Imutável,
o Único Existente.
Se
pretendemos, pois, chegar ao Imutável,
identificar-nos com a Verdade, os que aceitarem a
Doutrina do Cristo perseverem, fazendo a Vontade do
Pai dentro dos Seus Mandamentos e Estatutos, e voltarão
a adquirir a Onipotência de Deus, unificados com Ele,
como estivemos nEle antes de sair dessa Casa Paterna;
para regressar a essa Casa Paternal, como o filho pródigo
da incomparável parábola do Redentor da Humanidade.
(*) Conferência do Professor Julio Ugarte y Ugarte na cidade do Rio de Janeiro em 17 de agosto de 1939.
Livro Vontade e Inteligência p. 13 a 26.
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Julio
Ugarte y Ugarte
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